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4 mitos sobre a castração e esterilização do seu felino

A esterilização é o procedimento pelo qual se removem os órgãos reprodutores (testículos e ovários) dos animais com o intuito de impedir a reprodução e as complicações decorrentes dos ciclos reprodutivos tanto físicas como comportamentais.

Este procedimento é único e irreversível, sendo realizado como alternativa a métodos de controlo da natalidade como a pílula que trazem complicações quando usadas a longo prazo.

Nos machos a esterilização é também chamada de castração.

Existem diversas vantagens de esterilizar os nossos gatos:

Controlo populacional

Cada gata pode ter ninhadas de em média 4 gatinhos, podendo ser fértil em média 3 vezes por ano, assim sendo cada gata por ano conseguirá produzir cerca de 12 gatinhos, esses 12 gatinhos conseguem reproduzir a partir dos 6-8 meses de idade aumentando exponencialmente o número de ninhadas.

Estes gatos têm um efeito negativo ambiental pois competem com os recursos da fauna e são predadores de aves, répteis e pequenos mamíferos, muitos deles ameaçados.

Evitar comportamentos indesejáveis

Os gatos intactos têm comportamento de marcação do território, são mais propensos a fuga e mais suscetíveis de necessitarem de assistência médico-veterinária por traumatismos por fuga e luta com outros gatos.

Gatas com o cio têm o comportamento de vocalizar (miar, gritar, uivar) para chamar gatos. Estas épocas de chamamento podem durar até 3 semanas, nas quais as gatas comem e bebem menos, podem ter comportamento agressivo para com outros animais e podem atrair gatos não esterilizados para as nossas residências.

Prevenção de problemas de saúde

Gatas não esterilizadas têm maior risco de terem tumores de mama e podem contrair infeções no útero denominadas piometras, que são urgências cirúrgicas. O tumor mamário em gatas é quase sempre maligno e requer metidas extremas e precoces para que as doentes tenham possibilidade de uma boa sobrevida.

Gatos intactos como já referido são mais suscetíveis a lutar com outros gatos e a fugir de casa. São 5 vezes mais suscetíveis de se infetarem com os vírus da imunodeficiência ou SIDA Felina (FIV) e leucemia felina (FeLV). Estas doenças são incuráveis e apenas existe vacina para o FeLV.

Salvaguarda do bem-estar animal

A época reprodutiva é muito stressante para os animais visto que eles divergem a sua atenção e energias em comportamento reprodutivo. Animais esterilizados precocemente têm menos problemas de saúde relacionados com processos reprodutivos que animais intactos ou esterilizados tardiamente. Gatinhos não desejados poderão ser abandonados, e mais suscetíveis de padecerem de doenças ou acidentes.

Existe uma desvantagem na esterilização de gatos, a obesidade. Gatos esterilizados têm menos 33% de necessidades energética, pelo que devem ser transitados para uma alimentação específica para animais esterilizados que é menos calórica que a para gatos intactos.

A idade mínima para esterilização de gatos tem sido recomendada no passado como aos 6 meses de vida, contudo a Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM) recomenda que a idade mínima para esse procedimento sejam os 4 meses de vida.

Existem alguns mitos relativamente à esterilização que são perpetuados:

O gato/gata depois de esterilizado/a fica com o comportamento alterado

Esta afirmação é falsa pois os comportamentos que se alteram são os comportamentos com causa sexual como as vocalizações no cio, e a marcação territorial. Os animais esterilizados continuam a exprimir todos os restantes comportamentos naturais da espécie.

A gata deve fazer um cio antes de ser esterilizada

Quanto mais precoce a esterilização menor é a probabilidade que a gata venha a ter tumores mamários. Nesta espécie não estão descritas alterações urinárias, ortopédicas ou hormonais que ponham em risco a sobrevivência ou o bem-estar animal a longo prazo.

A gata é mais saudável se tiver uma ninhada

Não há qualquer evidência que ter uma ninhada aumente a longevidade ou previna problemas de saúde no futuro. A gravidez e o parto não são isentos de risco.

A pílula é mais segura e tão eficaz como a esterilização

A pílula pode ser ineficaz a prevenir a gravidez se a gata tiver estado com um gato antes ou até 48 horas depois da administração da pílula. A pílula ainda aumenta o risco de ocorrência de cancro de mama e infeções do útero.

O gato se for castrado fica mais predisposto a problemas urinários

Esta afirmação é controversa visto que foi obtida com base em estudos onde a população de gatos castrados está sobre representada (i.e. o número de gatos castrados foi muito maior do numero de gatos intactos). A nossa experiência clínica diz que gatos intactos também têm problemas urinários. Assim falta evidência da relação entre a castração e a ocorrência destes problemas.

A esterilização é frequentemente um procedimento rápido com um período de recuperação reduzido. Informe-se junto do seu médico veterinário sobre o procedimento e os méritos deste.

 João Pereira, 2020